Martim & Carminho | Um batizado a dobrar, um amor sem medida
 

Há surpresas que mudam os planos. E depois há aquelas que mudam uma vida inteira.

Quando Ana e Rodrigo descobriram que não vinha apenas um bebé a caminho, mas dois, começaram provavelmente a perceber que dali para a frente quase tudo seria vivido a dobrar. Os cuidados, as noites mais pequenas, as aventuras, as preocupações. Mas também os abraços, as descobertas e aquela estranha felicidade de ver duas pequenas vidas crescerem lado a lado.

Hoje, olham para os filhos com um orgulho difícil de esconder. E percebe-se porquê.

O dia do batizado amanheceu com São Jorge escondido atrás da chuva e do nevoeiro. Na costa norte, o verão parecia ter tirado o dia de folga. Mas dentro da Igreja de Santo António havia outro tipo de luz: a das pessoas presentes, dos avós, dos padrinhos, das crianças e de uma família que já sabe muito bem o que significa crescer junta.

E os dois pequenos protagonistas fizeram o resto.

Entre colos, olhares curiosos e pequenas distrações, houve um mundo inteiro a acontecer sem precisar de ser ensaiado. 

Não foi apenas na água do batismo ou nos momentos que fazem parte da cerimónia, mas na mão de um avô, num olhar trocado entre irmãos, no colo onde se encontra descanso, numa criança que observa tudo à sua volta ou na forma como a Ana e o Rodrigo olham para os filhos quando pensam que ninguém está a reparar.

Mais tarde, no Cantinho das Buganvílias, a chuva deu finalmente espaço ao sol. A festa ganhou outra luz e continuou entre uma decoração cuidada, uma mesa bonita, crianças por todo o lado e aquela alegria descontraída das famílias que estão verdadeiramente felizes por estarem juntas.

E o dia ainda guardava uma coincidência bonita.

Enquanto os filhos celebravam o início da sua caminhada na fé, Rodrigo celebrava também o seu aniversário. Houve outro bolo, outra razão para cantar os parabéns e mais uma memória para juntar a uma data que, naquela família, dificilmente voltará a ser apenas mais um dia no calendário.

No meio de tudo isto, talvez esteja aquilo de que mais gosto num batizado: pensar que estas crianças ainda são demasiado pequenas para se lembrarem deste dia.

Mas um dia vão poder vê-lo.

Vão descobrir como os pais lhes pegavam ao colo. Quem estava ao lado deles. Como os avós os olhavam. A família que já existia à sua volta. E vão perceber que, muito antes de conseguirem guardar estas memórias sozinhos, já havia muita gente a construir memórias com eles.

É por isso que estas fotografias importam.

Não servem apenas para recordar como foi o batizado. Servem para mostrar, daqui a muitos anos, como era o amor à volta deles quando tudo estava apenas a começar.

Os primeiros anos passam depressa demais para depender apenas da memória. Um batizado é uma celebração, mas é também uma oportunidade rara de reunir numa mesma história filhos, pais, padrinhos, avós e tantas das pessoas que fazem parte da vida de uma família.

Se estás a preparar o batizado dos teus filhos e procuras fotografias que contem mais do que aquilo que aconteceu, fala comigo. Quero contar também aquilo que se sentiu.