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Relatório

Velas, 11-07-2020


No dia 11 de Julho de 2020 na Fajã dos Vimes, concelho de Calheta na Ilha Açoriana de São Jorge procedeu-se ao levantamento fotográfico da Quinta de produção de café do Sr. Nunes.


Serve a presente peça para acompanhar o Location Scouting no que diz respeito á interpretação do local, acesso, condições aspetos climatéricos a ter em atenção.

Produção do tipo familiar, remonta a 2 gerações atrás. Plantas trazidas do Brasil encontraram na Fajã dos Vimes as condições ideais para se desenvolverem.
Contudo, convém descrever o que é uma Fajã:
Tendo em conta a sua orografia, a Ilha de São Jorge possui muitas escarpas e ingremes arribas. Por diversos fatores climáticos e sísmicos, as mesmas arribas ao longo de milhares de anos foram desabando encosta abaixo, criando junto ao mar pequenas "bolsas" de terrenos com área suficiente para cultivo e criação de habitações. Locais abrigados, com micro clima e com um potencial para pequenas culturas, onde se destacam um pouco por toda a ilha a batata, a vinha, o inhame e no caso especial da Fajã dos Vimes o Café Arrábica.


Podemos destacar na produção do Sr. Nunes, cuja quantidade de plantas produz sensivelmente uma tonelada anual de café, a não utilização de maquinaria.
Todo o processo de manuseamento e tratamento do grão é efectuado manualmente, sem recurso a qualquer tipo de equipamento, conferindo assim um aspecto artesanal a este produto.


Tendo em conta característica intrínseca da Fajã, com terreno em altura podemos verificar que nesta época do ano, e apesar das plantas estarem quase “despidas”, ainda se encontram algumas com grãos por apanhar.

A plantação em causa é bastante basta, não havendo muito espaço entre plantas (em alguns casos não se consegue andar direito). O chão é coberto de vegetação remanescente das podas e queda de folhas, assim como muita pedra. Utilizando a fartura de pedra do local, os donos criaram proteção em muros de pedra seca assim como escadaria para melhor deslocação entre “currais”.

O acesso à Fajã dos Vimes a partir de Velas é todo feito em estrada pavimentada com duas faixas de rodagem e sinalização apropriada, á exceção dos últimos 2 ou 3 quilómetros onde no acesso à Fajã podemos encontrar uma estrada mais estreita, pavimentada mas um pouco mais irregular. A duração da viagem é aproximadamente 40 a 45 minutos (velocidade média de 70 km/h)


Na chegada à Fajã, a Quinta fica localizada nas traseiras da habitação e Snack Bar da família Nunes, com acesso por escadarias e pequeno trilho que circundei-a a propriedade.

Na vista área podemos verificar também as vedações em vegetação, plantada para a proteção das plantas do café da maresia, que se faz sentir normalmente nos invernos mais rigorosos.

A plantação do Sr. Nunes tendo em conta a sua idade necessita de intervenção em termos de poda. Essa intervenção será efetuada este ano uma vez que as plantas encontram-se com um porte demasiadamente grande para o espaço que ocupam e necessitam de uma “educação” radical.

Para dar uma noção de tamanho e espaço, utilizei um modelo (o animal do meu irmão) que tem 178 cm.

Atendendo á época do ano, o clima na Fajã habitualmente é de temperaturas a rondar os 22 – 28 graus C, pouco vento e pouca chuva, contudo e tratando-se dos Açores, em poucos minutos o clima poderá mudar. Existe até mesmo um ditado açoriano que diz: “Se não gostas do tempo, espera meia hora”.

O nascer do Sol é às 6.37 com o pôr-do-sol às 21.18, fazendo o seu trajeto a sul da Ilha, levando a que esta se encontrará iluminada durante grande parte do dia.

Família acessível, afável e atenciosa encontram-se sempre prontos para ajudar, não fosse uma produção familiar de muito orgulho para os seus donos assim como para os residentes na Ilha.

Destaco ainda, e em caso de necessidade, a existência de espaços rurais para alojamento na Fajã dos Vimes, assim como restaurantes a sensivelmente 20 minutos de distância (Ribeira Seca e Calheta).

Numa última nota saliento a inexistência de animais selvagens perigosos, plantas venenosas ou quaisquer outros perigos associados á vida isolada. O mais provável encontrar numa Fajã é alguém a fazer um churrasco e nos convidar. Nesse caso há que ter cuidado, os residentes fazem questão em embebedar os visitantes.

Cuidados a ter no meu ponto de vista será o acesso (descida) á Fajã, pela estrada estreia e arribas muito altas e com pouca proteção, destaco ainda a irregularidade do piso na Quinta, pela existência de muita pedra solta e as temperaturas mais elevadas nesta altura do ano.

Finalmente:
A Fajã dos Vimes encontra-se eletrificada, com acesso à rede de comunicações fixa e excelente cobertura 3 e 4G.


Filipe Lopes